CONVERSANDO COM DEUS

Por PAULINA, D. São Paulo, 2016.

Entre os anos 2007 a 2010, questionamentos invadiam meus pensamentos e afligiam meu coração. Algo que eu tinha deixado adormecido lá na adolescência, entrou em erupção. Descubro realmente que sou gay, e agora?!

Foram muitos conflitos, dúvidas e até vontade de cometer suicídio. Porém, realmente Deus cumpriu aquela “velha promessa”: Meus anjos te guardarão, Eu não te abandonarei.

Das experiências que tive dentro desta fase, deixo o relato de duas grandes confirmações trazidas pelo Criador a minha vida.

Era mais uma noite, onde a angústia tomava conta do meu coração e os meus pensamentos diziam: – Não é possível eu ser homossexual. Fui criada desde a infância na igreja, frequentando a reunião para jovens e menores. Meu recitativo era decorado com alegria, sempre me atentei aos Teus Mandamentos Senhor e a ti fui fiel. Nunca abracei os costumes mundanos, e por que espírito tão maligno como este pode ter me tomado? O que eu fiz Pai?! Por que este espírito não morreu no meu batismo?

O desespero tomou conta de mim, e assim eu disse a Deus: – Senhor te peço perdão, mas se Tu não me trouxer uma resposta sobre esta situação, eu tomarei minhas providências. Infelizmente, a ideia para solucionar meus problemas era cometer suicídio. Então, peguei o meu véu e a bíblia, requerendo de alguma forma um sinal da parte de Deus. Sem marcadores ou indicativos que me levasse abrir a bíblia em um ponto determinado, fechei meus olhos e abri num capítulo da qual nunca tinha lido até aquele momento. De maneira surpreendente meus olhos direcionaram para a passagem do versículo 20, do livro de Romanos 9. “Mas ó homem quem és tu que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá a que formou porque me fizeste assim?” Logo, prostrei-me na presença do Senhor em oração, tomada por uma grande virtude e paz no coração.

Passam os dias, outras provações sobrevêm, o desânimo, a opressão e novamente minha fé se abala. A sensação de ter sido “o acaso” e não Deus a me conceder um sinal, invadiu meu coração trazendo a dúvida…

Porém, certo dia, enquanto voltava para casa, encontrei uma irmã dentro do mesmo vagão de metrô. Ela me saudou e começou a conversar. Mas, havia dentro de mim uma revolta, não queria encontrar ninguém que fosse da igreja, pois minha tristeza era tão grande com relação a ser gay mais o fato de sermos tão condenados e desprezados. Eu literalmente tinha pegado raiva de “crente”. Porém, Deus maravilhosamente nos surpreende…Enfim, a conversa introduzida pela irmã continua, e o assunto resumia-se apenas sobre o curso universitário o qual fazia na época. Coincidentemente desceríamos na mesma estação, e foi aí que fiquei impressionada com o ocorrido: Esta mesma irmã me aborda com a pergunta: – Por que você está se condenando, se Eu te criei assim? Por que você está com a caneta vermelha na mão riscando sua história se a caneta que está Nas Minhas Mãos ao seu respeito é azul e o seu nome está escrito no Livro da Vida?! Impossível descrer ter sido Deus nas palavras ditas pela irmã.

Discorro este testemunho em lágrimas, pois até hoje não consigo contá-lo sem chorar. A irmã desconhecia qualquer situação da minha vida pessoal, isso eu garanto. Chegando em casa caí nos pés do Senhor agradecendo pelo privilégio de ter recebido Dele tão gloriosa e precisa resposta. Esta foi mais uma confirmação que veio para apaziguar, trazer alegria aos meus dias! Será que hoje posso temer julgamento alheio por ser homossexual? Jamais! E hoje nada me faz tão feliz quanto dividir convosco tamanho amor de Deus por nossas almas!

Devemos ter humildade diante do Criador e o cuidado em não desafiá-Lo – aqui trago como referência a tentação de Jesus no deserto. Contudo, dialogar, buscar Sua sabedoria, clamar com fé e sinceridade é importante e necessário. Isso não é só privilégio de membros do Ministério, dos profetas… Temos igualmente por meio de Cristo esta liberdade. Estas ações nos amadurecem espiritualmente, faz florescer em nós a Graça, evitando que fiquemos engessados aos dogmas humanos.

Podeis dizer, ah, se eu tivesse recebido um sinal também teria me conformado em ser gay, estaria vivendo mais feliz etc. Mas, antes de lamentar-se, eis aqui um pedacinho do Amor de Deus para com todos nós, o qual, divido alegremente por meio deste testemunho.

Portanto, jovens não sejais ingratos, tampouco pensem que o Pai Celestial os abandonou; que devem se condenar ao inferno porque os homens e a igreja têm absoluta razão. Ninguém comanda ou tem poder sobre a Graça do Filho de Deus. Não associem as decepções amorosas, as frustrações como sendo um sinal de provação ou castigo por ser homossexual. Guardai o coração na retidão, pratiquem o Amor de Cristo e a caridade, pois, certamente nos encontraremos caminhando na mesma direção, e o mais reconfortante, junto ao Senhor Jesus que nos tornou livres.

“Não te deixarei, nem te desampararei.” Hebreus 13:5

4 thoughts on “CONVERSANDO COM DEUS

  1. Meu Deus! Que testemunho lindo, moça!!!
    Fiquei muito alegre ao ler isso.
    Eu continuo buscando um sinal, uma confirmação de Deus nessa parte, para que eu possa viver mais em paz.
    Que Deus te abençoe por compartilhar.

  2. Amém, Jan Perdal!Tendo fé no teu coração por certo alcançará meu caro. Mas, lembre-se que o maior sinal tem sido o amor de Deus por nós, e isso podemos visualizar nos pequenos e grandes acontecimentos em nossas vidas. Abraços.

  3. Que testemunho lindo , como eu gostaria de uma resposta de Deus assim, como quria ter coragem de me assumir para minha família , mais tenho um medo tão grande de ser rejeitado por eles aí fico numa tristeza so esperando em Deus

  4. Olá Marcos!Realmente é aprazível todo o alento vindo de Deus, especialmente os particulares. Mas, visto que estes testemunhos estão sendo divididos e a nossa condição é semelhante, sinta-se incluso neste sinal também!Quando o amor é repartido todos somos acolhidos.Sobre contar a sua família é indiferente, antes deve assumir-se a você mesmo, se amar como é. Então, falar abertamente sobre isso será uma consequência e escolha em expor ou não sua particularidade.

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